or José Marques
Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
O projeto de lei da deputada Luiza Maia (PT), que pretende
obrigar o estado a utilizar 70% dos recursos destinados a artistas em
festejos de época para a contratação de atrações baianas – já
chamado de “lei antiforasteiros”, embora a parlamentar não tenha
gostado muito do título –, mal foi divulgado e já levanta controvérsias.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a petista afirmou que “é necessário
que haja um projeto para levantar esse debate”. “Alguns artistas,
principalmente forrozeiros, me procuraram para discutir o assunto. Só no
ano passado, Luan Santana recebeu R$ 1,2 milhão em dinheiro público no
estado – e não é que eu não goste do Luan Santana, ele é um ótimo
artista, tem músicas muito legais –, mas, enquanto isso, os artistas da
Bahia recebem cachês de R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil. A gente precisa
valorizar a nossa praça”, avaliou. Ela relembra que o músico Chico
César, secretário de Cultura da Paraíba, recentemente, adotou medida
similar. Ele decidiu que o Estado não iria “contratar nem pagar grupos
musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da
tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino”, a
exemplo de Aviões do Forró, Calcinha Preta e Magníficos. Luiza Maia, no
entanto, ainda promete que discutirá muito o texto. “Projeto é assim,
você apresenta e tem um caminho para tramitar na Assembleia. Se algum
local tem R$ 500 mil para contratar bandas e gasta quase tudo em uma
grande atração, não sobra quase nada para os artistas locais. Vamos
abrir o debate sobre isso e fazer um diálogo com a sociedade, antes de
colocar o projeto em votação – já que aquela Casa só vota projeto do
Executivo”, criticou.
Do outro lado, o empresário da banda cearense Mastruz com Leite, Jósimo Costa, classificou a medida como “absurda”. “Se as pessoas querem que as festas de sua cidade tenham programações locais, é louvável. Mas é absurdo abrir cota para shows de atrações que viajam 10, 12 horas para estarem mais próximas do público. Na Mastruz com Leite trabalham mais de 30 pessoas, muitas delas pais e mães de família que se sustentam disso”, advertiu. Ele lembrou que, se os outros estados cerceassem as apresentações de bandas "forasteiras", diversos artistas baianos seriam prejudicados. “É um projeto de lei que não convence a ninguém. Os políticos deviam se preocupar é em cortar os diversos auxílios que eles têm, como paletó e combustível, e o salário absurdo. Tudo isso é pago também com dinheiro público”, disparou. Em atividade desde 1990, o conjunto tem como maior hit “Meu Vaqueiro, Meu Peão”.




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