Luiza Maia defende cota de 70% para bandas baianas; Empresário da Mastruz com Leite acha medida ‘absurda’

terça-feira, maio 22, 2012

or José Marques

Luiza Maia defende cota de 70% para bandas baianas; Empresário da Mastruz com Leite acha medida ‘absurda’
Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
O projeto de lei da deputada Luiza Maia (PT), que pretende obrigar o estado a utilizar 70% dos recursos destinados a artistas em festejos de época para a contratação de atrações baianas – já chamado de “lei antiforasteiros”, embora a parlamentar não tenha gostado muito do título –, mal foi divulgado e já levanta controvérsias. Em entrevista ao Bahia Notícias, a petista afirmou que “é necessário que haja um projeto para levantar esse debate”. “Alguns artistas, principalmente forrozeiros, me procuraram para discutir o assunto. Só no ano passado, Luan Santana recebeu R$ 1,2 milhão em dinheiro público no estado – e não é que eu não goste do Luan Santana, ele é um ótimo artista, tem músicas muito legais –, mas, enquanto isso, os artistas da Bahia recebem cachês de R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil. A gente precisa valorizar a nossa praça”, avaliou. Ela relembra que o músico Chico César, secretário de Cultura da Paraíba, recentemente, adotou medida similar. Ele decidiu que o Estado não iria “contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino”, a exemplo de Aviões do Forró, Calcinha Preta e Magníficos. Luiza Maia, no entanto, ainda promete que discutirá muito o texto. “Projeto é assim, você apresenta e tem um caminho para tramitar na Assembleia. Se algum local tem R$ 500 mil para contratar bandas e gasta quase tudo em uma grande atração, não sobra quase nada para os artistas locais. Vamos abrir o debate sobre isso e fazer um diálogo com a sociedade, antes de colocar o projeto em votação – já que aquela Casa só vota projeto do Executivo”, criticou. 

Do outro lado, o empresário da banda cearense Mastruz com Leite, Jósimo Costa, classificou a medida como “absurda”. “Se as pessoas querem que as festas de sua cidade tenham programações locais, é louvável. Mas é absurdo abrir cota para shows de atrações que viajam 10, 12 horas para estarem mais próximas do público. Na Mastruz com Leite trabalham mais de 30 pessoas, muitas delas pais e mães de família que se sustentam disso”, advertiu. Ele lembrou que, se os outros estados cerceassem as apresentações de bandas "forasteiras", diversos artistas baianos seriam prejudicados. “É um projeto de lei que não convence a ninguém. Os políticos deviam se preocupar é em cortar os diversos auxílios que eles têm, como paletó e combustível, e o salário absurdo. Tudo isso é pago também com dinheiro público”, disparou. Em atividade desde 1990, o conjunto tem como maior hit “Meu Vaqueiro, Meu Peão”.

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